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sábado, junho 11, 2011

IMPERATRIZ, DO SURGIMENTO À GRANDE POTÊNCIA ECONÔMICA DA REGIÃO SUL MARANHENSE




IMPERATRIZ, DO SURGIMENTO À GRANDE POTÊNCIA ECONÔMICA DA REGIÃO SUL MARANHENSE



Autor: Paul Bruno Bezerra da Silva

RESUMO

            Ao longo da história de Imperatriz, podemos observar pontos muito importantes para sua formação econômica. Os ciclos econômicos vivenciados, contribuíram não só economicamente, mas também para um aumento populacional. Após longo período de isolamento, Imperatriz se torna um grande entroncamento entre as principais cidades e capitais da região, passa a ser referência econômica com influência comercial de seiscentos quilômetros de raio. O objetivo deste artigo é expor a situação atual da Economia local, observando desde o surgimento, as características atuais, pontos positivos e a nova onda de investimentos que aquecem o mercado em diferentes áreas, sempre utilizando como base as fontes de dados dos principais institutos de pesquisa e estudos realizados anteriormente.

Palavras-chave: Imperatriz, Economia regional, investimentos.

ABSTRACT.
Along Imperatriz history, we can observe very important points for your economical formation. The lived economical cycles, they contributed not only economically, but also for a population increase. After long isolation period, Empress becomes a great crossing point between the main cities and capitals of the area, you/he/she becomes economical reference with commercial influence of six hundred kilometers of ray. The objective of this article is to expose the current situation of the local Economy, observing from the appearance, the current characteristics, positive points and the new wave of investments that you/they heat up the market in different areas, using as base the sources of the principal research institutes data and studies always accomplished previously.
Keywords: Empress, regional Economy, investments.




Introdução


            No cenário atual em que se encontra a economia Brasileira, em período de crescimento e desenvolvimento econômico, as economias regionais têm dado a sua parcela de contribuição. Com o aumento do número de investimentos em cada um dos setores da economia, acelerou-se o crescimento econômico do país e também está cooperando para o desenvolvimento econômico em cada uma dessas zonas de investimento.
            Nesse cenário, selecionamos a cidade de Imperatriz-MA, para servir como objeto de estudo deste artigo no que diz respeito à Economia Regional. Ninguém jamais imaginaria que uma cidade iniciada como uma pequena vila instalada por engano em outro estado e completamente isolada do restante do Nordeste se tornaria maior potência econômica da região em pouco mais de um século e meio de existência, por isso a importância da elaboração deste material, mostrar os principais pontos da formação econômica desta grande demonstrando as razões do aquecimento da economia desta região.

Histórico


            A história de Imperatriz já começou a ser escrita por volta dos séculos XVI e XVII pelos bandeirantes, que saindo de São Paulo desbravavam o norte brasileiro em busca de riquezas. Em meio a diversas afirmações sobre a fundação desta cidade, está a de que o seu surgimento partiu de um erro de localização geográfica.
            No ano de 1849, saiu de Belém uma expedição com 11 (onze) embarcações e noventa e duas pessoas a bordo, dentre militares, religiosos, cientistas, colonos e remadores. A ordem foi recebida diretamente do imperador e repassada pelo então presidente da província de Grão-Pará, Jerônimo Francisco Coelho. O objetivo da expedição era: a criação de um presídio, a implantação de uma colônia militar e fundação de uma missão religiosa.
            A fundação propriamente dita deu-se em 16 de julho de 1852 com a chegada da expedição ao Maranhão. O Frei Manoel Procópio do Coração de Maria, que até então pensava estar em terras paraenses, fundou a cidade em meio a um grande espaço aberto e despovoado chamando-a de Povoação de Santa Teresa do Tocantins, que logo após passa a se chamar Vila Imperatriz em homenagem a Imperatriz Tereza Cristina.
            Foi Elevada a categoria de cidade em de 22 de Abril de 1924, através da Lei Nº 1179, no governo de Godofredo Viana. Mesmo sendo gerada em virtude de um erro, Imperatriz pode orgulhar de ser o “erro que deu certo”, e se colocar em meio às cidades com maiores potenciais econômicos do país.
            Atualmente a cidade de Imperatriz possui apenas 10% de seu território original. Mesmo com 159 anos, seu crescimento iniciou-se apenas a partir do ano de 1960, com a construção da Rodovia Bernardo Sayão – nome oficial da Rodovia Belém-Brasília, a BR 010 – durante governo de Juscelino Kubischek. A estrada foi traçada por dentro da cidade de Imperatriz e impulsionou a migração das regiões Centro-Oeste e Sul do país. A partir daí começou um acelerado desenvolvimento, recebendo contingentes migratórios das mais diversas regiões do país.
Imperatriz, olhando no mapa, fica fundo do Maranhão, distante da capital litorânea [...] Se olharmos a partir da capital do país, fica também ao extremo do interior, além de construir rota de chegada aos imigrantes vindos do Nordeste à procura de oportunidades inesperadas.” (Franklyn,2008,p.11)”
Hoje é a segunda maior cidade do Estado e uma das 100 mais populosas do Brasil. Durante os anos 80, Imperatriz vivenciou uma nova onda migratória incentivada pelo surgimento do garimpo de Serra Pelada tornando-se uma cidade de múltiplas culturas.

Ciclos econômicos

            Até os anos 90, o município passou por alguns importantes ciclos econômicos.   



      
        A criação de gado foi uma das primeiras atividades econômicas, com grandes dificuldades de desenvolvimento, devido à pequena abertura de terras, impossibilitando o escoamento do gado e limitadas à comercialização apenas com o Pará, e composta também à agricultura de subsistência. Conforme cita Marques:
“Os habitantes deste município são geralmente criadores de gado, mas também lavram arroz, mandioca, milho, feijão e cana de açúcar. Alguns tem engenhocas e alambiques em que fabricam rapaduras, açúcar somente para seu consumo, e aguardente” (Marques,1970,p.568-569)”      
            Imperatriz até o período da comemoração do primeiro centenário da cidade era totalmente isolada do restante da região Nordeste. Em 1952 com o assassinato do prefeito Urbano Rocha, assume o mandato o seu vice Simplício Moreira, abre-se então duas estradas vicinais, uma chegava a Montes Altos e alcançava Amarante à outra ia de Imperatriz a Montes Altos passava por Grajaú e chegava a Barra do Corda, desta forma Imperatriz deixava de ser isolada e abria-se a via ligação entre Imperatriz e Recife.dando início ao fluxo migratório para a região. Iniciou então o ciclo do arroz.


           Durante o ciclo do arroz, Imperatriz cultivava cerca de 66 mil hectares de terra com uma safra de 100 mil toneladas. A grande quantidade impossibilitava a estocagem local e abastecia todo o comércio regional.

            Com a construção da rodovia Belém-Brasília, inaugurada em1960, Imperatriz passa a despertar o interesse de empreendedores do Centro-Oeste e do Sul do país. A implantação de atividades industriais de porte significativo teve início nos anos 70, como conseqüência da migração de empresas sulistas para explorar o potencial madeireiro local dando início ao novo ciclo.
            O ciclo da madeira foi caracterizado pela presença de inúmeras indústrias madeireiras que concentraram seus investimentos na região em virtude da grande quantidade de madeira Ipê, Jatobá, Maracatiara e Mogno, esta última em decorrência da extração desenfreada está extinta na região. Segundo dados do IBAMA, em 1988 encontravam-se em funcionamento no município 66 indústrias madeireiras, empregando 2.772 trabalhadores. Em 1994 esse número havia reduzido para 36, que mantinham 2.680 empregados. A produção de madeira cerrada nestas duas datas manteve-se inalterada, próxima de 60 mil metros cúbicos.


            Posteriormente com os ciclos da borracha e da castanha, o fluxo migratório aumentaria com os atravessadores comerciais, estabelecendo-se as diferentes categorias sociais, entre os catadores miseráveis e os atravessadores que dominavam a economia local. Findando o ciclo da borracha, com o declínio da exportação, a vila passou por crise devido ser uma das grandes favorecidas. No entanto com a ascensão da castanha se iniciara uma nova parceria comercial do Pará com Imperatriz.


     Com o fim do ciclo da castanha afetou significativamente a arrecadação do município, gerando uma grande crise comercial, porém voltaram para a produção agrícola, devido o ciclo da castanha e em seguida passando por um longo período de isolamento.
“A partir da década de 80, a indústria de transformação, o comércio de mercadorias e prestação de serviços começa a ter destaque,como maior pólo comercial econômico de todo eixo entre Goiânia/ Brasília e Belém atuando como entreposto comercial do sul/sudoeste do Maranhão, sul do Pará e norte do Goiás, depois feito estado do Tocantins” (FRANKLIN,2008,p.160)”
No fim da década de 80, Imperatriz encerra o ciclo madeireiro e com a descoberta de Serra Pelada começa na região um novo ciclo chamado ciclo do ouro. Mesmo localizado no município de Curionópolis no Pará a busca pelo garimpo trouxe um grande avanço no comércio local.







 Dados econômicos atuais


            Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2010, a cidade possui uma população de 247.505 habitantes, composta principalmente por jovens e distribuída numa área total de 1.369 Km² formada por Cerrado e Amazônia.
            O PIB de Imperatriz é atualmente o terceiro maior do estado com R$ 1.740.930.000 (Um bilhão, setecentos e quarenta milhões, novecentos e trinta mil Reais), atrás somente do município de Açailândia e da capital São Luís. O imperatrizense possui uma renda per capita de R$ 7.367,12 (Sete mil trezentos e sessenta e sete reais e doze centavos).
“É notório que o comércio local cresce a olhos vistos e atende toda a região, demonstrando que a cidade vem cumprindo o papel que se propôs de precursora e fomentadora do desenvolvimento, anfitriã de investimentos, trabalhadores e capital econômica do Estado ( Academia Imperatrizense de letras,2002“)”
            A economia imperatrizense é movimentada principalmente pelo setor terciário – Comércio de mercadorias e serviços – com cerca de 77,8% do mercado, os setores secundário e primário são um pouco mais modestos e representam 16,7% e 5,5% da economia do município de acordo com o IBGE.

Motivos pelos quais Imperatriz é merecedora de novos investimentos

            Nos das atuais o município de Imperatriz reúne em um conjunto as características naturais e infra-estruturais mais completas e diferenciadas do país o que possibilita o recebimento de novos investimentos, principalmente nos setores secundário e terciário.
            Entre as características naturais pode-se apontar: excelente potencial hidrográfico, sendo banhada por vários rios, tendo o Tocantins como o principal, com extensão de 2.850km.
            Na Infra-estrutura o fornecimento de energia elétrica conta com uma subestação de energia elétrica, com potencial de 600 MW, possibilitando excelente qualidade de fornecimento para o consumidor. Para escoamento de produções, conta-se com as rodovias BR-010 (Belém-Brasília), BR-226, BR-222, e ainda com a MA-122, MA-123 e MA-280 para transporte rodoviário. No transporte ferroviário a Norte-Sul faz conexão com a Ferrovia Carajás. Sabino Siqueira da Costa, atual secretário de desenvolvimento econômico de Imperatriz afirma:
         Imperatriz tem uma situação privilegiada, pois possui a Belém-Brasília, equidistante praticamente de quatro capitais [...]. Além disso, temos num raio de 250 quilômetros, uma população superior a um milhão de habitantes. É um mercado bastante interessante. Aqui é um ponto de partida para o empresariado distribuir para essas quatro capitais que estão em uma média de 600 a 700 quilômetros de distância de Imperatriz. Temos toda uma situação favorável, com o Porto do Itaqui e a ferrovia Norte-Sul, que está se concretizando. Ou seja, em toda a infraestrutura e parte de logística a cidade de Imperatriz realmente é privilegiada. Nós vamos buscar investidores para esta região.
            Na educação, a cidade possui uma grande quantidade de escolas Municipais, Estaduais e particulares de ensino fundamental e médio, possui um Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Maranhão(IFMA), além disso, é referência regional no ensino superior, considerada um pólo universitário com quatro faculdades particulares uma federal e uma estadual. Imperatriz vem se tornando conhecida nacional e internacionalmente como um importante centro de produção e difusão de conhecimento cientifico.
            Principal cidade num raio de aproximadamente 600 quilômetros, mantendo influência no sul do Pará, Norte do Tocantins e Sul do Maranhão. Distancia-se 630km de São Luís-MA, 570km de Belém-PA, 800km de Teresina-PI, 600km de Palmas-TO. É o ponto de referência para distribuição de produtos para a região Tocantina;

Os novos investimentos

            Com o fim do ciclo de Ouro Imperatriz passou por um momento de indefinição econômica, a partir disso começa a desenvolver-se uma cultura comercial na cidade. Vistos os motivos para investimentos em Imperatriz, podemos notar que esta cidade já passa por um período de grande expansão econômica, afirma-se que estamos vivenciando um novo grande ciclo econômico, o ciclo do comércio.
  O comércio em Imperatriz é responsável pelo abastecimento de toda a região formada por boa parte dos estados do Maranhão, Pará e Tocantins e é caracterizado pela formação de alguns espaços homogêneos, entre os quais podemos citar: o comércio atacadista no setor mercadinho, os autopeças na região do Entroncamento, as óticas no bairro Juçara e o grande comércio de roupas e sapatos no calçadão.
            Uma nova onda de investimentos aquece a economia local. Seguindo a tendência nacional, o mercado imobiliário e a construção civil chamam atenção de investidores internos e externos, que em meio a uma “explosão” de novas construções tem valorizado consideravelmente os bens imóveis nos últimos dez anos, por causa disso notamos um aumento do número de novas construtoras e corretoras de imóveis.


            De acordo com os estudos de François Perroux, os pólos industriais podem surgir em torno de uma grande cidade, em decorrência de grandes fontes de matérias primas, em locais de passagens ou com fluxos comerciais bem significativos, ao analisar estas observações, pode-se afirmar positivamente que Imperatriz tem a capacidade natural e estrutural para receber um parque industrial que possa trazer um crescimento econômico.
Após estudos detalhados de viabilidade econômica e com investimentos bilionários, chegam a Imperatriz o grupo Carrefour que está em fase de instalação e irá entrar em concorrência no grande comércio local e as empresas Susano e Coca-Cola que farão uso de recursos naturais em suas produções.

Conclusão

            Há uma grande expectativa para o recebimento de muitos outros novos investimentos na cidade, mas é necessário lembrar-se da população já residente e ter ciência da existência um novo fluxo migratório causando mais um aumento populacional. É necessário que se invista mais em infra-estrutura e obras que venham melhorar a qualidade de vida do imperatrizense, trabalhar incansavelmente para que se haja um crescimento econômico, mas também acima de tudo um desenvolvimento econômico que venha provocar transformações estruturais a fim de favorecer também a população mais pobre. “A base de toda a sustentabilidade é o desenvolvimento humano que deve contemplar um melhor relacionamento do homem com os semelhantes e a Natureza”. Nagib Anderáos Neto.

Referências.

AIL- Academia Imperatrizense de Letras.Imperatriz 150 Anos.Imperatriz: AIL,2007
FRANKLIN,Adalberto.História Econômica de Imperatriz.Imperatriz.Ed.Ética,2008
http://pt.wikipedia.org/wiki/Imperatriz_%28Maranh%C3%A3o%29, acesso em 24 de maio de 2011,22:14h
http://www.jupiter.com.br/imperatriz/?pagina=historia, acesso em 24 de maio de 2011, 23:36h.
http://www.gazetama.com.br/dados.htm, acesso em 27 de maio de 2011, 23:07.
http://colunas.imirante.com/platb/edmilsonsanches/category/imperatriz/, acesso em 27 de maio de 2011, 23:26.
http://www.abcz.org.br/site/abcz/etr.php. acesso em 29 de maio de 2011, 12:43


Autor:  Paul Bruno Bezerra da Silva
Acadêmico de graduação em Ciências Econômicas pela Faculdade de Imperatriz – FACIMP- 4º Período
E-mail: paulbruno.bs@hotmail.com

Um comentário:

Anônimo disse...

Imperatriz tem avançado na economia( isso é muito bom), mas ainda tem um longo caminho a percorrer na educação, principalmente de ser valorizada . Não é basta apenas estrutura-se economicamente, tem que está preparado para crescer em todos os aspectos – econômico, meio ambiente e social. Crescer economicamente mais do que com investimentos, mas sabedoria.

Fabiane Costa Das Chagas - graduada em Geografia,especialização em Gestão Ambiental e academica de Administração

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